II
E jogar sinuca
na vida noturna
é foda;
sinuca é um jogo
de aperto psicológico
imenso;
e na noite tudo
é como The Who,
tudo é como Jogar
(invisivelmente)
um Marlboro ao peito
de outrem e olhar
feio no fundo do olho
e sorrir.
Malandro, na noite
roupa branca não adianta.
Não adianta só saber,
tem que escrever,
jogar sinuca,
saber as manhas de todos
os dengos, não adianta:
roupa branca, só
depois que teu trabalho
já for certo,
também isso
e é preciso
só ouvir The Who-
Só não.
É preciso ouvir a noite
onde os jogos nasceram
e acontecem,
agradeço de antemão aos Jogos,
por me terem dado àquela hora,
que não era
nem do meu nascimento
nem do meu parto,
apenas sete poemas
jogos invisíveis
I II III IV V VI VII,
- e é bom que
brinco-te, noite,
com o romano -
muito diurnos
para este,
sete poemas
de dez versos
tão abstratos
como eu era outrora;
hoje "o som
dos cara é
barril", e
os caras do som
pedem sempre outra.
O rock’n’roll,
os novos anos
’22 já estavam
aí à noite, e do meu lado
um homem do
prato como Edith,
e o anjo do
outro ombro
vestido de
camisa curta
preta rasgada
na barriga:
"punks make
peace offer" e
eu comungo
nesta oferta
de paz.
(...)
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